sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Terra Fresca e animé
As histórias do João Leal frequentemente levam-me para o imaginário do animé. Não sei se ele vê esse tipo de coisa. Eu próprio não acompanho nada disso há quase dez anos...
O Terra Fresca fez-me lembrar os Homúnculos do Fullmetal Alchemist, aquelas criaturas não exactamente humanas criadas como um sub-produto da tentativa de Edward e Alphonse tentarem ressuscitar os pais. Para além disso, há um capítulo do livro chamado Troca Justa, expressão parecida com outra recorrente no animé ("troca equivalente").
Por outro lado há cadernos, que segundo uma série de regras, determinam a vidas de pessoas, e logo me surge Death Note.
O Terra Fresca fez-me lembrar os Homúnculos do Fullmetal Alchemist, aquelas criaturas não exactamente humanas criadas como um sub-produto da tentativa de Edward e Alphonse tentarem ressuscitar os pais. Para além disso, há um capítulo do livro chamado Troca Justa, expressão parecida com outra recorrente no animé ("troca equivalente").
Por outro lado há cadernos, que segundo uma série de regras, determinam a vidas de pessoas, e logo me surge Death Note.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Este é o meu país
Quando estava a ler este parágrafo de um livro do William Lane Craig, senti aquela vergonha nacional que nos leva a suspirar "são mesmo tugas". Porque isto é muito próprio da conjuntura portuguesa, de achar que a ideia "Deus" está perfeitamente conhecida, ultrapassada, domesticada e arrumada em lugares convenientes que não causem muita perturbação. E como tal entendo que ouvir alguém a apresentar argumentos lógicos a favor da existencia de Deus numa universidade possa causar perplexidade.
No entanto, é sempre bom relembrar o tipo de argumentos usados por Craig: argumentos lógicos. Com recurso a premissas básicas, verdadeiras até prova em contrário, tenta chegar a conclusões também verdadeiras. Aparentemente, e repetindo a história portuguesa, este arma de eleição não reuniu entusiasmo e partiram para o argumento ad hominem - o homem deve ser um charlatão, quiçá trabalha para os apanhados.
Falo ainda sem saber, mas supondo que no auditório estavam pessoas que se consideram "livres-pensadoras", já que o episódio passou-se numa Universidade, a minha repulsa por esta rapaziada aumenta sempre que ouço este título aplicado a quem se auto-impõe proibições destas. Este é o meu país e eu vivo nele.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Ao ver a Teoria do Big Bang
que é a única série que acompanho, pergunto-me sobre o que Tolkien ou Lewis achariam disto tudo. Sobretudo Tolkien, sem o qual tudo isto não existiria. Ainda hoje, enquanto via este diálogo do Hobbit, promotor de coragem, das façanhas físicas, do ar livre, da curiosidade pelo desconhecido, pensava sobre estes valores serem abertamente desprezados por quem mais gosta desta ficção. Nesse sentido, considero-me um adepto atípico do Senhor dos Anéis, porque precisamente porque gosto dessas coisas que o Gandalf tenta resgatar a Bilbo, gosto também da história.
Igualmente surpreendente, e amplamente repetida na Teoria do Big Bang, é a estranheza às mulheres. Não só nas histórias da Terra Média o amor entre homem e mulheres faz parte, sendo por vezes a força motora da história, como o próprio Tolkien se definiu muito enquanto marido e amante da sua esposa (de quantos escritores românticos poderá dizer-se o mesmo?).
Tenho reparado que já passaram cerca de quinze anos desde que li o Senhor dos Anéis e o Silmarillion, embora não pareça tanto tempo por causa da presença persistente dos filmes de Peter Jackson no cinema e na televisão. Talvez seja a altura de regressar pelo menos ao Silmarillion, agora com o dobro da idade, enquanto ainda não há sequer um sussurro de um possível filme. E agora com outras ferramentas, apreciar aquela história literalmente épica.
Igualmente surpreendente, e amplamente repetida na Teoria do Big Bang, é a estranheza às mulheres. Não só nas histórias da Terra Média o amor entre homem e mulheres faz parte, sendo por vezes a força motora da história, como o próprio Tolkien se definiu muito enquanto marido e amante da sua esposa (de quantos escritores românticos poderá dizer-se o mesmo?).
Tenho reparado que já passaram cerca de quinze anos desde que li o Senhor dos Anéis e o Silmarillion, embora não pareça tanto tempo por causa da presença persistente dos filmes de Peter Jackson no cinema e na televisão. Talvez seja a altura de regressar pelo menos ao Silmarillion, agora com o dobro da idade, enquanto ainda não há sequer um sussurro de um possível filme. E agora com outras ferramentas, apreciar aquela história literalmente épica.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
sábado, 21 de novembro de 2015
“As nossas prioridades são os direitos!” - Vinte de Novembro de Dois Mil e Quinze
Esta frase da notícia do Público espelha o que eu penso disto tudo (um pouco à semelhança da opiniao de Miguel Sousa Tavares na SIC, quando se falou da co-adopção). É tudo uma questão de direitos; que se fale no bem estar das crianças, no mesmo dia em que se avança com a liberalização da Procriação Medicamente Assistida é no mínimo questionável. Um pouco como quando se falou nas dádivas de sangue, também aposto que era no superior interesse do receptor.
Mais uma vez, estas leis representantes do Progresso vão passar em alturas estratégicas, sem que ninguém dê por isso, sem que a discussão seja realmente autorizada. Afinal, direitos humanos são inegociáveis, não é? E uns poucos decidiram que certas coisas eram direitos humanos. E a favor disso, tudo vale.
O que está em causa nunca foi uma medida aqui e acolá. Quando se votou o casamento para indivíduos do mesmo sexo, a esquerda assegurava que a adopção nada tinha a ver com o assunto, como se não fosse a consequência lógica que a direita antevia. A imagem que me ocorre é a de alguém que acalma um animal para melhor o abater. Um dia depois, já havia um senhor da esquerda que não me lembro quem a dizer que poder casar mas não poder adoptar era tão inconstitucional que até chateia.
Não gosto deste mundo, detesto homossexuais organizados em associações ou em desfile, e não suporto que se legisle a vontade desses grupos. Vai ficar na lei do país...
Por mim, este dia devia ficar na memória: vinte de Novembro de dois mil e quinze, Dia do Progresso em Portugal. Resta esperar que os factos não venham a ser dourados num revisionismo histórico conveniente.
Mais uma vez, estas leis representantes do Progresso vão passar em alturas estratégicas, sem que ninguém dê por isso, sem que a discussão seja realmente autorizada. Afinal, direitos humanos são inegociáveis, não é? E uns poucos decidiram que certas coisas eram direitos humanos. E a favor disso, tudo vale.
O que está em causa nunca foi uma medida aqui e acolá. Quando se votou o casamento para indivíduos do mesmo sexo, a esquerda assegurava que a adopção nada tinha a ver com o assunto, como se não fosse a consequência lógica que a direita antevia. A imagem que me ocorre é a de alguém que acalma um animal para melhor o abater. Um dia depois, já havia um senhor da esquerda que não me lembro quem a dizer que poder casar mas não poder adoptar era tão inconstitucional que até chateia.
Não gosto deste mundo, detesto homossexuais organizados em associações ou em desfile, e não suporto que se legisle a vontade desses grupos. Vai ficar na lei do país...
Por mim, este dia devia ficar na memória: vinte de Novembro de dois mil e quinze, Dia do Progresso em Portugal. Resta esperar que os factos não venham a ser dourados num revisionismo histórico conveniente.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Dilemas morais de super-heróis
Aqueles dilemas morais de super-heróis sempre pareceram só isso, dilemas morais de super-heróis. Ou manténs-te impoluto e sentes-te responsável pela perda da vida de centenas de pessoas, ou comprometes aquilo em que acreditas para poder salvá-las.
No entanto, agora que a maldade de uns quantos se tornou tão definida e efectiva, suponho que essa seja uma grande questão. Agora que estamos em condições de realmente discutir o assunto, vão haver interrogatórios com recurso a tortura? O primeiro a responder a este assunto deveria ser, naturalmente, José Sócrates, já que fez uma pos-graduação nessa área de especialidade.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Tu foste influente porque quero
Saiu uma lista dos livros académicos mais influentes, com o merecido primeiro lugar para A Origem das Espécies. No entanto, há vários livros de filosofia na lista, nenhum deles pertencente a Nietzsche. Eu não percebo nada de filosofia, mas se há coisa que tenho ideia é que o alemão praticamente pariu ideologicamente a minha geração. Devia ter ficado no mínimo em segundo ou terceiro lugar. Em relação a este senhor, surge sempre a questão de estarmos a eleger os verdadeiros influentes, ou apenas os influentes que desejaríamos que fossem, ou até os influentes que convêm. Ele lançou essa dúvida, está entranhada, não vai morrer e ninguém sincero e maduro pode negar-lhe a existência. É por isso que ele é tão importante. É por isso que ele é tão enxotado.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Homem por gato
No episódio de Parts Unknown em Beirut, Anthony Bourdain entrevista uma rapariga síria, refugiada prestes a ser deportada para o país de origem. Uma das perguntas foi se o conflito valia a pena; se seria um momento de sacrifício para conseguir algo melhor. A resposta da rapariga foi que a partir do momento em a luta custa vidas humanas, já foi longe de mais, concluindo com uma frase do género (estou a recorrer à memória) "nada vale mais do que uma vida humana".
A demonstrar um humanismo tão definido e determinado, imagino que a rapariga esteja a perseguir um ideal ocidental inegociável. Se conhecesse melhor o lado de cá, teria de ficar um pouco desiludida. Enquanto via o programa, lembrava-me da quantidade de pessoas que não trocaria a vida do seu cão, do gato, do piriquito ou da tartaruga, pela vida daquela rapariga. Aqui, somos existencialistas, produzimos os nossos significados e éticas particulares, e estando homens e mulheres ao leme, quem sabe onde as coisas vão parar. Por exemplo, a dignidade superior do Homem em relação à restante Criação perdeu-se. Um homem ou mulhere só são importantes se forem importantes para mim. E aquela rapariga síria dificilmente terá um estatuto desses. Pode-se lembrar ainda os casos mediáticos do sem-abrigo estendido morto no meio da rua, os dos idosos abandonados à morte pela família para confirmar a tendência.
Só por esta condição degradante, o Ocidente já merecia ser engolido por outra coisa qualquer da mesma maneira que os povos pagãos do Velho Testamento, com a sua ausência de valores e os seus sacrifícios humanos, também tinham de desaparecer.
Nem de propósito, saiu a notícia dos fins de relacionamentos por causa de animais de estimação.
A demonstrar um humanismo tão definido e determinado, imagino que a rapariga esteja a perseguir um ideal ocidental inegociável. Se conhecesse melhor o lado de cá, teria de ficar um pouco desiludida. Enquanto via o programa, lembrava-me da quantidade de pessoas que não trocaria a vida do seu cão, do gato, do piriquito ou da tartaruga, pela vida daquela rapariga. Aqui, somos existencialistas, produzimos os nossos significados e éticas particulares, e estando homens e mulheres ao leme, quem sabe onde as coisas vão parar. Por exemplo, a dignidade superior do Homem em relação à restante Criação perdeu-se. Um homem ou mulhere só são importantes se forem importantes para mim. E aquela rapariga síria dificilmente terá um estatuto desses. Pode-se lembrar ainda os casos mediáticos do sem-abrigo estendido morto no meio da rua, os dos idosos abandonados à morte pela família para confirmar a tendência.
Só por esta condição degradante, o Ocidente já merecia ser engolido por outra coisa qualquer da mesma maneira que os povos pagãos do Velho Testamento, com a sua ausência de valores e os seus sacrifícios humanos, também tinham de desaparecer.
Nem de propósito, saiu a notícia dos fins de relacionamentos por causa de animais de estimação.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Passa-se a roupa a ferro a ouvir os instrumentistas
A técnica inteiramente ao serviço da melodia, como deve ser. Essa é a assinatura da qualidade de um músico.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
P's
Tenho feito umas tentativas de ir correr antes do trabalho, para melhorar a qualidade da minha saúde, porque sou tendencialmente muito sedentário.
Ao sair de casa pela manhã, ainda de noite, não tenho qualquer expectativa de desfrutar da frescura da manhã. O ar cheira mal pela manhã. A Marinha Grande é uma cidade industrial cinzenta de pessoas cansadas por fazer muitas horas extraordinárias. As traseiras do meu prédio são assombradas pelo ruídos de milhões de garrafas partidas a deslizar de um lado para o outro na Barbosa e Almeida (esta paisagem dominada por uma fábrica faz lembrar o animé Furi Kuri com a sua grande fábrica em forma de ferro de engomar, quem viu sabe do que falo).
Mas esta cidade é abençoada pela proximidade de São Pedro de Moel, das Paredes, da Polvoeira, da Ponte Nova e do pinhal, e por isso, a vida aqui é suportável.
Quando regresso da corrida de vinte minutos, dorido das pernas e ofegante, passo ironicamente perto do pavilhão da escola Nery Capucho onde ia aos treinos de andebol, onde fazíamos os "circuitos de potência", com sprints, saltos, trampolins, flexões, abdominais e dorsais, bolas medicinais e etc. Se com dezasseis anos, um túnel que atravessasse o espaço-tempo junto ao portão da escola e deixasse espreitar-me quinze anos para o futuro, onde se veria o meu eu-presente estafado por vinte minutos de corrida, pareceria um futuro demasiado improvável, e não apenas mau, mas desprezível. Sim, era jovem com opiniões impetuosas, mas não deixava de ter uma certa razão.
Ao sair de casa pela manhã, ainda de noite, não tenho qualquer expectativa de desfrutar da frescura da manhã. O ar cheira mal pela manhã. A Marinha Grande é uma cidade industrial cinzenta de pessoas cansadas por fazer muitas horas extraordinárias. As traseiras do meu prédio são assombradas pelo ruídos de milhões de garrafas partidas a deslizar de um lado para o outro na Barbosa e Almeida (esta paisagem dominada por uma fábrica faz lembrar o animé Furi Kuri com a sua grande fábrica em forma de ferro de engomar, quem viu sabe do que falo).
Mas esta cidade é abençoada pela proximidade de São Pedro de Moel, das Paredes, da Polvoeira, da Ponte Nova e do pinhal, e por isso, a vida aqui é suportável.
Quando regresso da corrida de vinte minutos, dorido das pernas e ofegante, passo ironicamente perto do pavilhão da escola Nery Capucho onde ia aos treinos de andebol, onde fazíamos os "circuitos de potência", com sprints, saltos, trampolins, flexões, abdominais e dorsais, bolas medicinais e etc. Se com dezasseis anos, um túnel que atravessasse o espaço-tempo junto ao portão da escola e deixasse espreitar-me quinze anos para o futuro, onde se veria o meu eu-presente estafado por vinte minutos de corrida, pareceria um futuro demasiado improvável, e não apenas mau, mas desprezível. Sim, era jovem com opiniões impetuosas, mas não deixava de ter uma certa razão.
sábado, 24 de outubro de 2015
Língua estranha
Dois mil e quinze é o ano em que David Fonseca e Luis Nunes (o antigo Walter Benjamin, que agora responde por Benjamim) viraram-se para o português. Não olho para isto com cinismo, como se encontrasse uma mudança na tática comercial ou uma adesão à moda. Parece-me mais como uma desistência, ou até uma conversão, a uma realidade que era forte demais para ser ignorada: um cantor tem de cantar alguma coisa na sua língua materna se quer cantar com alguma sinceridade - embora perceba a força de querer cantar na mesma língua dos cantores que mais influenciam.
Muito provavelmente, esta será só uma fase passageira, mas vejo-a com agrado, porque o talento de ambos os artistas também é uma realidade demasiado forte para ser ignorada, pelo que o seu português merecia uma oportunidade. Tanto um como o outro ainda não parecem inteiramente à vontade com esta língua estranha, mas estou certo de que vão melhorar.
Muito provavelmente, esta será só uma fase passageira, mas vejo-a com agrado, porque o talento de ambos os artistas também é uma realidade demasiado forte para ser ignorada, pelo que o seu português merecia uma oportunidade. Tanto um como o outro ainda não parecem inteiramente à vontade com esta língua estranha, mas estou certo de que vão melhorar.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
O presente d'O Regresso ao Futuro
O que há a assinalar no presente de O Regresso ao Futuro é que vivemos a época em que ninguém quer saber o futuro. Ninguém o anseia, nem muito menos o antevê com optimismo, ou pelo menos, com um optimismo irrealista. Juntar os dados actuais leva-nos a concluir que o futuro acabará por tomar um aspecto pos-apocalíptico, se não apocalíptico mesmo. Os programas de divulgação tecnológica e cientifica, como o Para Além do Ano 2000, emagreceram imenso, e quando vemos a rubrica O Futuro Hoje - agora que já lá chegámos - é impossível que a maioria das pessoas que pensam com a própria cabeça não encare aquelas engenhocas com mais apreensão do que fascínio; adquirimos filtros mentais anti-fascínio, porque a isso fomos forçados.
Aproveitar o presente é o que está a dar; o passado é o único lugar que parece seguro; sabemos que o futuro não promete.
Aproveitar o presente é o que está a dar; o passado é o único lugar que parece seguro; sabemos que o futuro não promete.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Passa-se a roupa a ferro a ouvir os instrumentistas
Norberto Lobo merece um lugar mais visível na rádio portuguesa.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Fim de licenciatura
Com este fim-de-semana passado na Igreja da Lapa, penso que terminei a minha licenciatura em Tiago Cavaco. Conheci-o enquanto músico, blogger, assinante Facebook, em pessoa, por mail, como campista, em entrevista por escrito, na rádio e na televisão, enquanto pregador convidado e pregador na sua igreja. Sempre achei que tinha de estar atento para o perceber, que isso era e é importante, já que ele dita muitas das tendências entre os evangélicos. Ouvi falar dele pela primeira vez enquanto pessoa ilustre quando ei tinha uns oito ou nove anos, num domingo à tarde em que os jovens da minha igreja pediram emprestados aos meus pais sala e leitor de vídeo para ver uma espécie de documentário sobre os H+Pos (não faço ideia de como se escreve), banda onde ele era baixista.
Ao longo dos anos, entusiasmei-me com ele quando comecei a ler o Voz do Deserto e a ouvir as suas músicas. Mostrei a outras pessoas, cristãos ou não, e comentei ideias dele ou introduzi-as como assunto de conversa. Há uns dez anos atrás, recebi avisos acerca dele, de pessoas tais como os meus pais ou o pastor da minha igreja. Defendi-o várias vezes de outros que o atacavam por preguiça intelectual, por estranheza ou por se sentirem de alguma forma ameaçados, criticados ou inferiorizados. Hoje, julgo que quase todos os atrás referidos são amigos, admiradores à distância ou fortemente influenciados por ele. Isto seria muito mais picante com nomes, mas posso pelo menos fazer a estatística e perceber que duas mãos cheias de dedos não chegariam para os contar. Houve momentos de consagração essenciais, em certas entrevistas, ou ao receber a colaboração de certas pessoas, que quebraram as barreiras dos mais cépticos à sua aceitação.
Entretanto comecei eu próprio a deixar de lhe achar muita graça. Começou a haver mais coisas em jogo, sobretudo desde que se tornou pastor. Medir o peso dessas coisas tornou-se essencial. Hoje, tudo o que o rodeia parece uma grande brincadeira infantil que nunca mais acaba. Julgo que muito do crédito que as pessoas mais velhas lhe dão, vem de acharem que naturalmente ele é uma pessoa divertida e surpreendente, mas quando entra em acção no ministério pastoral a coisa muda, e então é a sério. Mas não muda. A tal brincadeira persiste e permeia lugares que muitos julgariam sagrados e intocáveis pela irreverência, como o louvor, a pregação ou até a oração.
Enquanto evangélico baptista, terei de me habituar a explicar às pessoas, sempre que me for solicitado, que concordando com alguns aspectos pontuais e dispersos, raramente me identifico com o que é dito nas suas aparições na imprensa. Não seria ele que eu escolheria para me representar. E que como tal, é especialmente irritante ouvi-lo a falar em nome do colectivo. "Nós" isto, "nós" aquilo - em rigor, "nós" o tanas, sobretudo se se escudar nisso para dar força às suas opiniões mais pessoais. Lembro de lhe encontrar este tique desde que lia os Animais Evangélicos, e é um atributo que parece ter permanecido até aos dias de hoje.
Penso que a sua personalidade estabilizou e que já não há motivo para um acompanhamento contínuo, sobretudo através do blog. Sinto que sei quem ele é, de onde veio e para onde vai. Pelo menos para já, quando o ouço ou leio, julgo saber onde quer chegar.
Isto é bom para ele, porque vou ter uma atitude mais limpa quando confrontado com a sua obra. Por exemplo, o que li do livro sobre casamento estava sempre a ser comparado com as memórias mais frescas que tinha do blog, não dando oportunidade ao próprio livro de receber uma crítica justa - se é bom ou mau, bem ou mal escrito, relevante ou irrelevante, edificante ou destrutivo. Como se fosse um estrangeiro acabado de chegar ao país.
Enquanto cristão, claro que isto é-me difícil. Faço conta de me cruzar com ele em pessoa mais umas quantas vezes ao longo da vida. Também faço conta de ser simpático - aliás, como ele tem sido sempre comigo. Não faço conta de lhe fazer uma crítica ao trabalho, porque não tem nada que aturar críticas de pessoas distantes dele e do seu trabalho - mesmo que os cristãos tenham autoridade uns sobre os outros para tal intervenção. Mas desejo-lhe que ouça a crítica das pessoas próximas. E depois disto tudo, desejo não ser hipócrita.
Sei que temos uma crença em Cristo uniforme o suficiente para nos chamar-mos irmãos, e tenho de deixar que isso prevaleça como sendo de primeira importância sobre as coisas restantes. E não tenho intenções de condescender com as críticas que fiz neste texto, entre outras. Penso que será por aí. Licenciatura terminada.
Ao longo dos anos, entusiasmei-me com ele quando comecei a ler o Voz do Deserto e a ouvir as suas músicas. Mostrei a outras pessoas, cristãos ou não, e comentei ideias dele ou introduzi-as como assunto de conversa. Há uns dez anos atrás, recebi avisos acerca dele, de pessoas tais como os meus pais ou o pastor da minha igreja. Defendi-o várias vezes de outros que o atacavam por preguiça intelectual, por estranheza ou por se sentirem de alguma forma ameaçados, criticados ou inferiorizados. Hoje, julgo que quase todos os atrás referidos são amigos, admiradores à distância ou fortemente influenciados por ele. Isto seria muito mais picante com nomes, mas posso pelo menos fazer a estatística e perceber que duas mãos cheias de dedos não chegariam para os contar. Houve momentos de consagração essenciais, em certas entrevistas, ou ao receber a colaboração de certas pessoas, que quebraram as barreiras dos mais cépticos à sua aceitação.
Entretanto comecei eu próprio a deixar de lhe achar muita graça. Começou a haver mais coisas em jogo, sobretudo desde que se tornou pastor. Medir o peso dessas coisas tornou-se essencial. Hoje, tudo o que o rodeia parece uma grande brincadeira infantil que nunca mais acaba. Julgo que muito do crédito que as pessoas mais velhas lhe dão, vem de acharem que naturalmente ele é uma pessoa divertida e surpreendente, mas quando entra em acção no ministério pastoral a coisa muda, e então é a sério. Mas não muda. A tal brincadeira persiste e permeia lugares que muitos julgariam sagrados e intocáveis pela irreverência, como o louvor, a pregação ou até a oração.
Enquanto evangélico baptista, terei de me habituar a explicar às pessoas, sempre que me for solicitado, que concordando com alguns aspectos pontuais e dispersos, raramente me identifico com o que é dito nas suas aparições na imprensa. Não seria ele que eu escolheria para me representar. E que como tal, é especialmente irritante ouvi-lo a falar em nome do colectivo. "Nós" isto, "nós" aquilo - em rigor, "nós" o tanas, sobretudo se se escudar nisso para dar força às suas opiniões mais pessoais. Lembro de lhe encontrar este tique desde que lia os Animais Evangélicos, e é um atributo que parece ter permanecido até aos dias de hoje.
Penso que a sua personalidade estabilizou e que já não há motivo para um acompanhamento contínuo, sobretudo através do blog. Sinto que sei quem ele é, de onde veio e para onde vai. Pelo menos para já, quando o ouço ou leio, julgo saber onde quer chegar.
Isto é bom para ele, porque vou ter uma atitude mais limpa quando confrontado com a sua obra. Por exemplo, o que li do livro sobre casamento estava sempre a ser comparado com as memórias mais frescas que tinha do blog, não dando oportunidade ao próprio livro de receber uma crítica justa - se é bom ou mau, bem ou mal escrito, relevante ou irrelevante, edificante ou destrutivo. Como se fosse um estrangeiro acabado de chegar ao país.
Enquanto cristão, claro que isto é-me difícil. Faço conta de me cruzar com ele em pessoa mais umas quantas vezes ao longo da vida. Também faço conta de ser simpático - aliás, como ele tem sido sempre comigo. Não faço conta de lhe fazer uma crítica ao trabalho, porque não tem nada que aturar críticas de pessoas distantes dele e do seu trabalho - mesmo que os cristãos tenham autoridade uns sobre os outros para tal intervenção. Mas desejo-lhe que ouça a crítica das pessoas próximas. E depois disto tudo, desejo não ser hipócrita.
Sei que temos uma crença em Cristo uniforme o suficiente para nos chamar-mos irmãos, e tenho de deixar que isso prevaleça como sendo de primeira importância sobre as coisas restantes. E não tenho intenções de condescender com as críticas que fiz neste texto, entre outras. Penso que será por aí. Licenciatura terminada.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Livre como um passarinho
Encontro graça no dizer "livre como um passarinho", como alguém que não sabe nem se lembrou de alguma vez procurar saber de onde vem, ou como deve ser preservada. Tem outras coisas em que pensar, mais importantes para a sua subsistência ou felicidade - tornam-se sinónimos - imediata. Na maior parte das vezes são cem por cento exactos na forma como se auto-elogiam.
Ou seja, estou a falar de "liberdade" e de ser-se "passarinho".
Ou seja, estou a falar de "liberdade" e de ser-se "passarinho".
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